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Inovação e Tecnologia

Aprovação de design pela ABS marca etapa relevante para ferramentas de instalação de eólica flutuante

O sistema Squid da Encomara supera uma barreira de certificação — um indicativo da direção que a engenharia de instalação de eólica offshore flutuante está tomando.

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A floating offshore wind turbine structure being positioned at sea, with a support vessel alongside during installation operations.
Photo: Unsplash / Karwin Luo

O FATO

De acordo com a Offshore Engineer, a desenvolvedora escocesa de tecnologia para eólica flutuante Encomara recebeu a aprovação de Avaliação de Design de Produto (Product Design Assessment — PDA) do American Bureau of Shipping (ABS) para sua tecnologia de instalação Squid. A PDA é um endosso formal de sociedade classificadora que confirma que o design atende aos padrões de engenharia e segurança aplicáveis, representando um passo concreto no caminho de comercialização do sistema.

O Squid é descrito como uma tecnologia de instalação para eólica flutuante, embora o material de origem não detalhe sua configuração mecânica específica nem a interface com embarcação para a qual foi projetado. A aprovação da ABS segue o processo de avaliação de design de produto, que examina a documentação de engenharia e a concepção do projeto antes de qualquer implantação física ou certificação completa de projeto.

A Encomara, sediada na Escócia, está posicionada no segmento emergente de desenvolvedores focados nos desafios de instalação e manuseio específicos da eólica offshore flutuante — uma disciplina que difere substancialmente do mercado consolidado de instalação de eólica de fundação fixa.

POR QUE ISSO IMPORTA

A aprovação da PDA pela ABS não é um contrato comercial, um anúncio de implantação ou uma prova de conceito em mar aberto. É, no entanto, uma confirmação credível e independente de que a base de engenharia do design Squid é suficientemente sólida para avançar às próximas etapas de qualificação. Em um setor onde o endosso de sociedades classificadoras é frequentemente pré-requisito para financiamento de projetos e engajamento de operadores, essa etapa tem peso que vai além de seu escopo técnico.

Para o setor de instalação de eólica flutuante como um todo, a relevância reside no que a aprovação sinaliza sobre onde o gargalo de engenharia se encontra atualmente. A eólica offshore de fundação fixa já resolveu em grande medida sua metodologia de instalação — fundações monopile e jacket são operadas por uma frota madura de embarcações especializadas, com procedimentos de içamento e posicionamento bem estabelecidos. A eólica flutuante ainda não possui uma prática equivalente consolidada. As estruturas de suporte das turbinas — semi-submersíveis, spars, plataformas de perna tensionada — introduzem complexidade no reboque úmido, na operação de endireitamento, na conexão de amarração e no posicionamento final, para os quais as embarcações convencionais de içamento pesado não foram projetadas para operar com eficiência. Tecnologias como o Squid, qualquer que seja seu mecanismo específico, são tentativas de fechar essa lacuna.

Do ponto de vista brasileiro, a relevância direta desta aprovação específica é limitada no curto prazo. O setor de eólica flutuante no Brasil permanece em estágio inicial de desenvolvimento, com marcos regulatórios, caminhos de licenciamento ambiental e modelos de conexão à rede ainda em definição. As ambições do país para a eólica offshore são reais — o recurso é expressivo, particularmente no Nordeste e em áreas de águas profundas onde fundações fixas não são viáveis — mas a questão da infraestrutura de instalação ainda não é a restrição determinante. Licenciamento, estruturas de financiamento e contratos de compra de energia são o foco atual de desenvolvedores e reguladores brasileiros.

Dito isso, a comunidade de engenharia offshore do Brasil tem razões concretas para acompanhar a maturação da tecnologia de instalação de eólica flutuante. A Petrobras e operadores independentes com infraestrutura de águas profundas e capacidade logística marítima já estabelecidas são candidatos naturais a participar de uma futura cadeia de fornecimento de eólica flutuante no Brasil — seja como operadores, sócios de capital ou prestadores de serviços. As competências em amarração, subsea e operações marítimas acumuladas ao longo de décadas de desenvolvimento no pré-sal se traduzem diretamente para a instalação e O&M de eólica flutuante. À medida que o lado tecnológico de instalação se consolida — e aprovações como esta são passos incrementais nessa direção —, a barreira à participação da indústria brasileira diminui.

Há também uma dimensão de mercado de embarcações que merece atenção. O Brasil dispõe de uma frota significativa de OSVs e embarcações de construção offshore, parcelas das quais enfrentam pressão de utilização à medida que a campanha de perfuração no pré-sal amadurece e a composição do programa de capital da Petrobras continua a evoluir. A instalação de eólica flutuante, caso se desenvolva em escala nas águas brasileiras, representaria uma nova fonte de demanda para essa frota — mas somente se as metodologias de instalação estiverem definidas e as embarcações puderem ser adaptadas ou qualificadas para o trabalho. O caminho de qualificação tecnológica que a Encomara está percorrendo, e que a ABS está contribuindo para validar, é anterior a essa questão de utilização da frota.

Para arquitetos navais, engenheiros de marinha e contratistas EPC brasileiros, a conclusão prática é que o espaço de tecnologia de instalação de eólica flutuante está sendo ativamente disputado por múltiplos desenvolvedores, e o engajamento com sociedades classificadoras está se tornando parte padrão do processo de comercialização. A disposição da ABS em emitir PDAs para conceitos inovadores de instalação reflete tanto a maturidade da engenharia dos requerentes quanto o próprio investimento das classificadoras no desenvolvimento de competência em eólica flutuante.

CONTEXTO

A ABS tem sido uma das sociedades classificadoras mais ativas no desenvolvimento de orientações técnicas para eólica offshore flutuante, ao lado da DNV e da Bureau Veritas. Aprovações de PDA para equipamentos offshore inovadores não são incomuns no setor — processos similares foram utilizados para avançar ferramentas subsea, conectores de amarração e sistemas de riser — mas sua aplicação a hardware de instalação de eólica flutuante reflete como o setor está começando a adotar o rigor de qualificação que há muito caracteriza a cadeia de fornecimento de óleo e gás.

A aprovação da Encomara ocorre enquanto diversos projetos europeus e asiáticos de eólica flutuante se aproximam de decisões finais de investimento, criando uma janela comercial de curto prazo para desenvolvedores de tecnologia de instalação capazes de demonstrar soluções certificadas e implantáveis. Se os projetos brasileiros farão parte dessa primeira onda comercial permanece uma questão em aberto, mas as decisões tecnológicas tomadas agora moldarão as opções disponíveis quando essa janela se abrir nas águas brasileiras.

Fonte: OFFSHORE ENGINEER

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