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quarta-feira, 3 de junho de 2026
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Inteligência para a indústria de petróleo & gás offshore

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Operações e Segurança

Brasil registra novo recorde de produção em abril, puxado pelo pré-sal

Com 5,64 milhões de boe/d, o país supera o próprio recorde estabelecido em março — e o pré-sal responde por mais de 80% do volume.

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THE NEWS

Segundo a Petronotícias, o Brasil registrou em abril um novo recorde de produção de petróleo e gás natural, alcançando 5,640 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d). Os dados foram divulgados pela ANP no Boletim Mensal da Produção de Petróleo e Gás Natural. O recorde anterior havia sido estabelecido em março, quando a produção somou 5,531 milhões de boe/d.

No recorte por fluido, a produção de petróleo atingiu 4,340 milhões de bbl/d — alta de 2,2% frente a março e de 19,5% em relação a abril do ano anterior. A produção de gás natural chegou a 206,70 milhões de m³/d, com crescimento de 1,3% sobre março e de 23% na comparação anual. O pre-salt respondeu por 4,614 milhões de boe/d, equivalentes a 81,8% da produção nacional, com expansão de 3% no mês e de 23,6% no ano. Os campos marítimos concentraram 98,1% do petróleo e 88% do gás natural produzidos no período.

No mês, o campo de Búzios, na Bacia de Santos, liderou a produção de petróleo com 910,10 mil bbl/d. O FPSO Almirante Tamandaré, operando no campo de Búzios/Tambuatá/Búzios ECO sob contrato de partilha do volume excedente da cessão onerosa, foi a instalação de maior produção individual de petróleo, com 248.587 bbl/d. Para o gás natural, o campo de Mero, também na Bacia de Santos, registrou a maior produção — 46,22 milhões de m³/d —, com o FPSO Marechal Duque de Caxias respondendo por 13,08 milhões de m³/d. Os campos operados pela Petrobras, sozinha ou em consórcio, foram responsáveis por 88,98% do total produzido. A produção total teve origem em 6.118 poços, sendo 592 marítimos e 5.526 terrestres.

WHY IT MATTERS

O aspecto mais relevante deste resultado não é o recorde em si, mas a velocidade com que ele foi superado: o país quebrou a própria marca em dois meses consecutivos. Esse ritmo indica que a curva de produção ainda está em fase ascendente, sustentada pela entrada progressiva de novas unidades de produção e pelo adensamento de poços em campos já maduros do pre-salt.

O crescimento anual de 19,5% no petróleo e de 23% no gás natural é expressivo para uma base já elevada. Esses percentuais não decorrem de um único evento pontual — como a entrada de um FPSO — mas de uma combinação de fatores operacionais acumulados: eficiência de elevação, aumento de poços produtores e gestão de reservatório. Para operadores e fornecedores de serviços, esse ritmo sustentado cria um horizonte de demanda mais previsível do que ciclos de crescimento concentrados em inaugurações.

A concentração de 81,8% da produção no pre-salt, com 189 poços respondendo por 4,614 milhões de boe/d, evidencia a densidade produtiva dos reservatórios do polígono do pre-salt. Essa relação — alto volume por poço — tem implicações diretas para a cadeia de serviços subsea: a demanda por intervenção, inspeção e manutenção de poços de alta produtividade exige equipamentos e protocolos distintos dos campos maduros de menor vazão. Empresas de ROV, umbilicais e subsea Christmas tree que operam nesse segmento devem observar esse vetor de crescimento com atenção.

O dado de aproveitamento de gás natural — 97,8% em abril — merece leitura separada. A queda de 17,2% no volume de queima em relação a março, e de 9,3% frente a abril do ano anterior, aponta para uma melhora consistente na gestão do gás associado. Para o mercado doméstico, isso representa incremento no volume disponibilizado: 63,54 milhões de m³/d foram colocados à disposição do mercado no mês. A continuidade dessa tendência tem relevância regulatória, dado que a ANP acompanha indicadores de queima como parte de seus critérios de eficiência operacional e licenciamento ambiental.

A liderança do campo de Búzios — com 910,10 mil bbl/d — e o desempenho do FPSO Almirante Tamandaré como instalação de maior produção individual reforçam o peso do modelo de cessão onerosa na matriz produtiva brasileira. O contrato de partilha do volume excedente, sob o qual essa unidade opera, tem estrutura de receita distinta dos contratos de concessão tradicionais, com implicações para a distribuição de royalties e participações especiais entre União, estados e municípios produtores. À medida que a produção sob esse regime cresce, o debate sobre destinação de receitas tende a ganhar relevância fiscal.

CONTEXT

O Brasil vem consolidando sua posição entre os maiores produtores globais de petróleo, trajetória que a ANP documenta mensalmente. O padrão de recordes consecutivos observado em março e abril reflete o amadurecimento do ciclo de investimentos iniciado na fase de expansão do pre-salt, com FPSO's encomendados em janelas anteriores agora em plena operação. A tendência estrutural de crescimento da produção offshore brasileira está alinhada com as projeções de longo prazo da própria ANP e do Plano Estratégico da Petrobras, embora os números mensais sempre comportem variações por paradas programadas e condições climáticas.

O desempenho do campo de Mero como maior produtor de gás natural do país — com o FPSO Marechal Duque de Caxias no topo das instalações gasíferas — posiciona a Bacia de Santos como eixo central tanto da produção de líquidos quanto de gás offshore, o que tem implicações para o planejamento de infraestrutura de escoamento e para os projetos de reinjeção e monetização de gás associado nos próximos anos.

Fonte: PETRONOTÍCIAS

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