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sexta-feira, 14 de agosto de 2026
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Energia Renovável

Energia de ondas dá um passo pequeno, mas concreto, em Portugal

A reabilitação de quebra-mar pela Eco Wave Power em Portugal representa um avanço incremental para a energia de ondas em escala utilitária — tecnologia que o Brasil monitora, mas à qual ainda não se comprometeu.

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A concrete breakwater structure along a Portuguese coastline undergoing rehabilitation works in preparation for wave energy conversion equipment installation.
Image: AI-generated (Flux 1.1)Gerado por IA

O FATO

Segundo a Offshore Energy, foram iniciadas obras de reabilitação de um quebra-mar em Portugal para viabilizar o projeto de energia de ondas da Eco Wave Power, concebido para atingir capacidade na escala de megawatt. As obras representam uma etapa inicial de infraestrutura civil para a implantação da tecnologia de conversão de energia de ondas da empresa no local.

O projeto se posiciona como uma demonstração relevante de captura de energia de ondas ancorada em terra, com equipamentos instalados em estruturas costeiras existentes — como quebra-mares — em vez de plataformas offshore flutuantes ou fixadas ao leito marinho.

O artigo de origem oferece detalhes limitados além do início das obras de reabilitação e da ambição do projeto em escala de megawatt.


POR QUE ISSO IMPORTA

Para os profissionais offshore brasileiros, a relevância operacional imediata deste desenvolvimento é restrita. A energia de ondas permanece como segmento pré-comercial em escala global, e um projeto de demonstração de um megawatt em Portugal não altera decisões de aquisição ou desenvolvimento de curto prazo no Brasil. Ainda assim, a trajetória tecnológica que ele representa merece acompanhamento — especialmente considerando a extensa costa brasileira e a busca contínua por fontes de geração renovável complementares às operações de petróleo e gás offshore.

O modelo com equipamentos montados em quebra-mar adotado pela Eco Wave Power é estruturalmente distinto dos conversores de energia de ondas flutuantes e dos dispositivos de coluna d'água oscilante que foram explorados em contextos acadêmicos e regulatórios brasileiros. Ao ancorar os equipamentos de conversão em infraestrutura costeira existente, a abordagem reduz a complexidade da instalação marítima e evita grande parte dos desafios de ancoragem e manutenção de posição que historicamente complicaram os projetos de energia de ondas offshore. Se isso se traduzirá em uma estrutura de custos comercialmente viável em escala é uma questão ainda em aberto — e é exatamente para começar a respondê-la que projetos como esta demonstração portuguesa foram concebidos.

O regulador de energia do Brasil e suas instituições de pesquisa, incluindo aquelas vinculadas ao aparato nacional de planejamento energético, avaliaram periodicamente a energia de ondas como opção de diversificação de longo prazo. As costas sudeste e sul do país apresentam recursos de energia de ondas considerados tecnicamente aproveitáveis, embora nenhum projeto em escala utilitária tenha avançado até a fase de construção. A lacuna entre a disponibilidade técnica do recurso e a implantação comercial é precisamente o que projetos de demonstração nessa escala pretendem reduzir — ao gerar dados operacionais sobre desempenho de equipamentos, integração à rede e ciclos de manutenção em condições reais de mar.

Para fornecedores brasileiros e empresas de engenharia com competências em obras civis costeiras, estruturas marítimas ou eletrônica de potência, o projeto português oferece um caso de referência que vale estudar. Se a reabilitação e a subsequente instalação dos equipamentos avançarem dentro do prazo e do orçamento, o projeto contribuirá para um conjunto de dados global ainda escasso sobre execução de projetos de energia de ondas. Esse conjunto de dados é relevante para qualquer avaliação de viabilidade futura conduzida por um desenvolvedor brasileiro ou financiada por um banco de desenvolvimento nacional.

O contexto mais amplo é que a energia de ondas continua a atrair interesse institucional moderado sem ainda alcançar as reduções de custo que a tornariam competitiva com a energia eólica offshore ou mesmo com a energia maremotriz na maioria dos mercados. A Agência Internacional de Energia e organismos equivalentes têm reconhecido consistentemente a magnitude teórica do recurso de ondas, ao mesmo tempo em que reconhecem a defasagem em maturidade tecnológica. Um projeto de um megawatt em Portugal não fecha essa lacuna, mas contribui para a curva de aprendizado incremental que, eventualmente, pode vir a fechá-la.

Para a Petrobras e os operadores independentes brasileiros focados na produção do pré-sal, a energia de ondas não é uma consideração operacional de curto prazo. O ponto de interseção mais plausível está no contexto do planejamento da transição energética — especificamente, se a energia de ondas poderia eventualmente contribuir para o fornecimento de energia a plataformas offshore ou instalações industriais costeiras, reduzindo a dependência da geração a gás. Esse cenário permanece especulativo nos atuais níveis de maturidade tecnológica, mas é o tipo de opção de longo prazo que as equipes de planejamento energético monitoram.


CONTEXTO

A Eco Wave Power tem desenvolvido instalações de energia de ondas em quebra-mares em múltiplas jurisdições, posicionando a abordagem como de menor risco em relação aos sistemas de energia de ondas totalmente offshore. O projeto português se soma a um número ainda pequeno, mas crescente, de demonstrações de energia de ondas conectadas à rede em operação ou em desenvolvimento nas águas europeias.

A expansão das energias renováveis no Brasil acelerou nos últimos anos, com a energia eólica offshore atraindo a maior atenção regulatória e de investimento no espaço de renováveis marinhas. A energia de ondas ocupa um horizonte temporal mais longo na maioria dos cenários de planejamento energético brasileiro, tornando desenvolvimentos como este projeto português relevantes principalmente como itens de monitoramento tecnológico, e não como sinais imediatos de mercado.


Fonte: OFFSHORE ENERGY

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