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Operações e Segurança

Programa PESO da Foresea atinge marco de zero aterro sanitário em perfuração offshore

Um programa estruturado de sustentabilidade em operações de perfuração reivindica 100% de reaproveitamento de resíduos — e desperta interesse como modelo replicável para a cadeia de suprimentos offshore brasileira.

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O FATO

Segundo a Petronotícias, a Foresea apresentou seu Programa de Excelência em Sustentabilidade e Operação (PESO) no último dia do ROG.e 2026, no Rio de Janeiro. O programa recebeu o Prêmio RSE na categoria ESG, concedido pela consultoria SER, que reconhece projetos nas áreas de gestão de riscos, segurança, ESG e sustentabilidade.

O PESO integra esforços das áreas de Sustentabilidade, Cadeia de Suprimentos, Inovação, Engenharia e Socioambiental da Foresea. Carlos Alberto Junior, gerente executivo de sustentabilidade da empresa, descreveu os objetivos do programa como abrangendo redução de emissões, gestão de resíduos e efluentes, consumo de combustível e engajamento positivo com comunidades locais e a base de fornecedores.

Entre os resultados reportados pelo programa: um Sistema de Gestão de Emissões Fugitivas reduziu as emissões de gases refrigerantes em 48,5% no primeiro ano, evitando aproximadamente 9.000 toneladas de CO₂ equivalente e 2.636 quilogramas de gases refrigerantes ao longo de 2024, com uma economia estimada de R$ 360.000 proveniente da redução na reposição de fluidos. Uma iniciativa de sustentabilidade digital, ativa desde 2019, processou aproximadamente 900.000 checklists online nas sondas operadas, eliminando mais de 1,8 milhão de folhas de papel — equivalente, segundo a empresa, à preservação de 178 árvores e à redução de 4,08 toneladas de CO₂. O projeto Aterro Zero do programa afirma ter eliminado todo o descarte em aterro sanitário dos resíduos gerados nas operações, com a receita obtida pela venda de materiais recicláveis direcionada a novas iniciativas socioambientais.

POR QUE ISSO IMPORTA

A afirmação de 100% de reaproveitamento de resíduos em operações de perfuração offshore não é um número a ser ignorado sem escrutínio — e é exatamente esse escrutínio que o torna analiticamente relevante. A perfuração offshore gera um fluxo heterogêneo de resíduos: cascalhos de perfuração, fluidos com carga química, estopas oleosas, filtros usados, embalagens, resíduos alimentares, entre outros. Alcançar o desvio total do aterro sanitário em todo esse espectro, se verificado de forma independente, representaria um referencial operacional significativo para o setor de perfuração brasileiro.

A Foresea não especificou, neste anúncio, a metodologia de verificação por terceiros que sustenta o índice de 100%. O Prêmio RSE da consultoria SER oferece reconhecimento externo, mas os critérios do prêmio — voltados amplamente para gestão de riscos, segurança, ESG e sustentabilidade — não constituem necessariamente uma auditoria técnica das taxas de desvio de resíduos. Isso não é uma crítica ao programa; é uma lacuna que a Foresea e empresas similares provavelmente precisarão endereçar à medida que reguladores brasileiros e operadores internacionais elevem o padrão de exigência em divulgação ESG. Os requisitos de reporte ambiental em evolução da ANP e a crescente influência de frameworks internacionais como GRI e SASB sobre os operadores brasileiros criam um contexto de curto prazo no qual a transparência metodológica se torna tão importante quanto o número de destaque.

A plataforma Energy Flow merece atenção à parte. Uma ferramenta de otimização energética preditiva para embarcações e sondas com posicionamento dinâmico — capaz de simular cenários com até 72 horas de antecedência utilizando dados ambientais em tempo real — endereça um dos desafios mais persistentes de custo e emissões nas operações offshore. A redução de 61,7% no consumo de energia reportada durante os testes na sonda Norbe VI é um número expressivo. Os sistemas DP em MODUs consomem volumes substanciais de combustível, e qualquer redução validada nessa escala teria implicações diretas sobre os custos operacionais e o reporte de emissões de Escopo 1. A ressalva é que condições de teste e desempenho operacional sustentado podem divergir; o setor acompanhará se esses números se mantêm em um envelope operacional mais amplo.

Para os operadores offshore brasileiros e seus contratantes, o significado estrutural do PESO reside menos em qualquer iniciativa individual e mais em sua arquitetura integrada. O programa conecta ferramentas digitais, critérios de avaliação de fornecedores, engajamento comunitário e gestão de resíduos sob um único framework operacional. Esse tipo de integração interfuncional é cada vez mais o que os grandes operadores — incluindo a Petrobras, que possui compromissos ESG incorporados ao seu plano estratégico — buscam ao avaliar contratistas de perfuração. Um contratista capaz de demonstrar dados mensuráveis de desempenho ambiental, e não apenas compromissos de política, está melhor posicionado em processos de licitação competitivos.

O componente de desenvolvimento de fornecedores do PESO também merece atenção sob a perspectiva da cadeia de suprimentos brasileira. Avaliar e desenvolver parceiros com base em critérios ambientais, sociais e de governança introduz considerações ESG nas decisões de compras no nível do contratista — uma camada abaixo do operador. À medida que a Petrobras e os operadores internacionais ativos no Brasil endurecem seus próprios requisitos ESG para a cadeia de suprimentos, os contratistas de perfuração que já construíram essa capacidade de avaliação estão mais bem posicionados para atender às exigências de conformidade repassadas sem fricção.

As iniciativas sociais — incluindo a capacitação de 182 gestores municipais de educação em Macaé e o apoio à cooperativa MacaEco, que processou mais de 193 toneladas de materiais recicláveis em 2025 — refletem um modelo de engajamento comunitário centrado em Macaé, polo operacional da indústria de perfuração offshore brasileira. Para uma empresa cuja força de trabalho e logística estão profundamente enraizadas naquele município, esses programas cumprem tanto uma função social quanto uma função de licença para operar. Se constituem impacto ESG material em escala é uma questão separada, mas sua lógica operacional é consistente.

CONTEXTO

O ROG.e 2026 ofereceu uma plataforma visível para este anúncio, e o timing é deliberado. Os eventos do calendário offshore brasileiro são cada vez mais utilizados por empresas de serviços e contratistas não apenas para apresentar equipamentos e contratos, mas para posicionar suas credenciais ESG diante de operadores e reguladores presentes. O Prêmio RSE agrega valor de sinalização externa ao que, de outra forma, poderia ser lido como reporte interno.

De forma mais ampla, o setor offshore brasileiro atravessa um período em que o desempenho ambiental está migrando de uma consideração reputacional para uma contratual e regulatória. A direção do movimento — em direção à divulgação obrigatória, à responsabilização da cadeia de fornecimento e a métricas verificadas — torna programas como o PESO dignos de acompanhamento, tanto pelo que alcançam quanto pela forma como definem a metodologia por trás de suas afirmações.

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