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Innovation & Technology

COPPE/UFRJ apresenta três projetos de tecnologia offshore no Energy Summit

Da simulação por IA à impressão metálica 3D, as iniciativas miram reduzir dependência de fornecedores estrangeiros e elevar a segurança operacional.

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Pesquisadores da Coppe/UFRJ realizam testes com modelo reduzido de estrutura offshore em tanque de simulação de ondas, com equipamentos de monitoramento ao fundo.
Image: AI-generated (Flux 1.1)AI-generated

THE NEWS

De acordo com a Petronotícias, a Unidade Embrapii Coppe/UFRJ está apresentando três projetos voltados à segurança e eficiência de equipamentos offshore no Energy Summit 2026, evento realizado entre os dias 23 e 25 na Marina da Glória, no Rio de Janeiro. O evento, realizado em parceria com o Massachusetts Institute of Technology (MIT), reúne especialistas e líderes do setor de energia para discutir inovação e soluções sustentáveis.

Os três projetos compartilham objetivos estratégicos declarados: acelerar a produção de equipamentos para uso em alto-mar, melhorar a segurança em plataformas de petróleo, prevenir desastres ambientais por vazamentos e reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros. A Coppe/UFRJ é credenciada pela Embrapii nas áreas de upstream e downstream de petróleo e gás, posicionando-a como interlocutora direta entre grupos de pesquisa e a indústria.

Um dos projetos, desenvolvido em parceria com a Petrobras, aplica Inteligência Artificial à análise de dados gerados em testes com modelos reduzidos de estruturas offshore em tanques de água. A tecnologia cria um "gêmeo digital" — uma réplica virtual 3D da estrutura — capaz de reproduzir seu comportamento sob diferentes condições marítimas, identificar padrões e apoiar a elaboração de relatórios técnicos. Um segundo projeto, desenvolvido com a Shell, explora a impressão metálica 3D por soldagem a arco elétrico com arame metálico para fabricar componentes subsea, com potencial para substituir métodos convencionais de usinagem.


WHY IT MATTERS

A apresentação desses projetos em um fórum internacional com participação do MIT não é apenas um gesto de visibilidade acadêmica. Ela sinaliza que a Coppe/UFRJ está posicionando suas pesquisas como soluções industrialmente aplicáveis, não apenas como estudos de bancada. Para o mercado offshore brasileiro, essa distinção é relevante: a lacuna entre pesquisa universitária e adoção industrial tem sido historicamente um dos principais obstáculos à nacionalização tecnológica no setor.

O projeto de gêmeo digital com IA merece atenção específica. A etapa de qualificação hidrodinâmica de estruturas offshore — testes em tanques com modelos em escala reduzida — é uma fase cara e demorada no ciclo de projeto de plataformas e sistemas de ancoragem. Se a ferramenta desenvolvida conseguir reduzir o tempo de análise desses dados sem comprometer a fidelidade dos resultados, o impacto sobre o cronograma de projetos pode ser mensurável. A IA treinada sobre dados reais de tanque tem potencial para generalizar padrões que engenheiros levam semanas para identificar manualmente — e, com o acúmulo de dados de múltiplos projetos, a ferramenta tende a se tornar progressivamente mais precisa.

A iniciativa de impressão metálica 3D por arco elétrico para componentes subsea aborda um gargalo diferente, mas igualmente concreto. Peças para equipamentos de fundo de mar — manifolds, conectores, estruturas de suporte — exigem geometrias complexas, tolerâncias apertadas e materiais com alta resistência à corrosão e à pressão. Os métodos convencionais de fabricação frequentemente implicam longos lead times e dependência de fornecedores especializados, muitos deles fora do Brasil. Uma capacidade nacional de fabricação aditiva metálica para esse segmento reduziria exposição logística e potencialmente o custo total de aquisição de sobressalentes críticos.

O tema da redução de dependência de fornecedores estrangeiros é recorrente no discurso regulatório e industrial brasileiro — mas raramente acompanhado de soluções técnicas concretas em estágio de demonstração. O fato de que esses projetos já contam com parceiros industriais como Petrobras e Shell indica que ao menos parte do caminho de validação industrial já foi percorrido. Parcerias desse tipo, dentro do modelo Embrapii, envolvem cofinanciamento da empresa parceira, o que reduz o risco de que os projetos permaneçam em nível laboratorial sem aplicação prática.

Para fornecedores nacionais do setor — empresas de engenharia naval, fabricantes de equipamentos subsea e prestadores de serviços de inspeção e manutenção —, os dois projetos representam tanto uma oportunidade quanto um sinal de atenção. A adoção de gêmeos digitais com IA no processo de qualificação de estruturas tende a elevar o padrão técnico exigido dos parceiros de engenharia. Ao mesmo tempo, uma capacidade nacional de impressão metálica 3D pode abrir espaço para novos entrantes no fornecimento de componentes que hoje são importados.


CONTEXT

A Coppe/UFRJ ocupa uma posição singular no ecossistema de inovação offshore brasileiro: é simultaneamente o maior centro de formação de engenheiros de petróleo do país e um laboratório credenciado pela Embrapii para projetos com cofinanciamento industrial. Essa dupla função — formação e P&D aplicado — aproxima a instituição do modelo adotado por centros como o SINTEF norueguês, onde pesquisa universitária e necessidade industrial operam em ciclos curtos de retroalimentação.

O Energy Summit, ao reunir esse tipo de iniciativa em um ambiente com projeção internacional, cumpre um papel de vitrine que vai além do evento em si. A presença de tecnologias brasileiras desenvolvidas com parceiros industriais de grande porte em um fórum associado ao MIT amplia a superfície de contato com potenciais parceiros internacionais — um vetor que, no médio prazo, pode acelerar o processo de certificação e adoção dessas tecnologias em outros mercados offshore.


Source: PETRONOTÍCIAS

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