SLB Onesubsea lidera propostas para 32 árvores de natal do projeto SEAP
Em licitação dividida em três lotes, a empresa apresentou os menores valores em todos os cenários avaliados pela Petrobras.
THE NEWS
According to Petronotícias, a SLB Onesubsea apresentou as menores propostas em uma licitação da Petrobras para a contratação de 32 árvores de natal molhadas e equipamentos submarinos complementares — incluindo manifolds, unidades de distribuição eletro-hidráulica, PLEMs, ESDVs e UTAs. Os dados foram disponibilizados pela Petronect (licitação nº 7004565113). As outras empresas que apresentaram propostas foram Baker Hughes e TechnipFMC. Os equipamentos se destinam ao projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP).
A licitação está estruturada em três lotes. Os lotes 1 e 2 preveem, cada um, a contratação de 16 árvores de natal molhadas e não são excludentes entre si — a mesma empresa pode vencer ambos. O lote 3 consolida a demanda dos dois primeiros, contemplando as 32 unidades. Na avaliação final, a Petrobras comparará a soma das melhores propostas dos lotes individuais com a melhor proposta apresentada para o lote consolidado.
Em todos os cenários, a SLB Onesubsea registrou os menores valores. No lote 1, a empresa propôs R$ 1,58 bilhão, ante R$ 1,81 bilhão da Baker Hughes e R$ 1,87 bilhão da TechnipFMC. No lote 2, a proposta foi de R$ 1,76 bilhão, contra R$ 2,05 bilhões e R$ 2,10 bilhões, respectivamente. No lote 3 — o consolidado —, a SLB Onesubsea apresentou R$ 2,89 bilhões, enquanto Baker Hughes ficou em R$ 3,3 bilhões e TechnipFMC em R$ 3,49 bilhões.
WHY IT MATTERS
O volume em disputa é expressivo por qualquer métrica do mercado subsea brasileiro. Trinta e duas árvores de natal molhadas representam uma encomenda de escala relevante para um único projeto, e o valor consolidado do lote 3 — próximo de R$ 2,9 bilhões apenas na proposta mais competitiva — sinaliza o porte do investimento em infraestrutura submarina que o SEAP demanda. Para o mercado de equipamentos subsea no Brasil, trata-se de uma das maiores licitações de árvores de natal em curso no momento.
A estrutura de três lotes adotada pela Petrobras merece atenção analítica. Ao manter lotes 1 e 2 não excludentes e criar um lote 3 consolidado que compete com a soma dos individuais, o operador preserva flexibilidade para dividir o fornecimento entre dois concorrentes ou concentrá-lo em um único. Esse desenho é uma ferramenta de gestão de risco de fornecimento: distribui a dependência e, ao mesmo tempo, estimula propostas agressivas no lote consolidado. O resultado prático é que a Petrobras não está obrigada a escolher entre eficiência de escala e diversificação de fornecedores — ela pode calibrar essa escolha na fase de adjudicação.
Do ponto de vista competitivo, as três empresas que participaram da licitação operam com modelos de negócio distintos. A SLB Onesubsea é uma joint venture com perfil integrado no segmento subsea; Baker Hughes e TechnipFMC também competem no espaço de árvores de natal e sistemas de produção submarina, cada uma com sua estrutura de custo e cadeia de fornecimento. A diferença entre a proposta mais competitiva e a mais alta no lote 3 supera R$ 600 milhões — uma margem que, dependendo da avaliação técnica e dos critérios de qualificação do edital, pode ou não ser determinante para a adjudicação final. Propostas mais baixas avançam para análise técnica, e o processo ainda não está encerrado.
Para a indústria brasileira, a questão do conteúdo local é um elemento que orbita qualquer licitação desta magnitude, embora o texto disponível não detalhe os índices de nacionalização exigidos no edital. Árvores de natal molhadas para águas profundas envolvem componentes de alta precisão — válvulas, atuadores, conectores, sistemas de controle eletro-hidráulico — cuja fabricação local ainda é limitada no Brasil. A capacidade de cada concorrente em atender requisitos de conteúdo local, se presentes no edital, pode influenciar a avaliação final de forma independente do preço ofertado.
O projeto SEAP representa um vetor de desenvolvimento para a bacia de Sergipe-Alagoas, que opera em lógica distinta do pré-sal do Santos. A infraestrutura submarina necessária para desenvolver campos em águas profundas nessa bacia precisa ser construída praticamente do zero, o que torna licitações como esta — de equipamentos de completação submarina em escala — um indicador concreto do andamento do projeto. A adjudicação, quando ocorrer, também sinalizará o cronograma operacional que a Petrobras projeta para o SEAP.
CONTEXT
O mercado global de árvores de natal molhadas para águas profundas é dominado por um número reduzido de fornecedores com capacidade técnica e financeira para atender encomendas desta escala. No Brasil, esse mercado se concentra ainda mais, dado o histórico de relacionamento com operadores como a Petrobras e as exigências regulatórias de conteúdo local. A presença de três concorrentes nesta licitação reflete a maturidade do segmento e a atratividade do SEAP como projeto.
A licitação também ocorre em um momento em que o mercado subsea global registra pressão de demanda elevada, com múltiplos projetos de águas profundas em fase de desenvolvimento simultâneo em diversas bacias. Esse contexto tende a pressionar prazos de entrega e capacidade de fabricação — variáveis que a Petrobras certamente considera na avaliação técnica que acompanha a análise de preços.
Source: PETRONOTÍCIAS