MODEC e Eld Energy avançam em sistema SOFC com captura de CO₂ para FPSOs
O MoU firmado em Tóquio escala um piloto de 40 kW para 1,2 MW integrado à captura de carbono — com testes onshore previstos para 2029.

THE NEWS
Segundo a Petronotícias, a MODEC e a Eld Energy — empresa norueguesa especializada em sistemas de células a combustível — assinaram em Tóquio um Memorando de Entendimento (MoU) para o desenvolvimento conjunto de um sistema de geração de energia de 1,2 MW integrado à tecnologia de captura de CO₂, voltado para aplicação em unidades FPSO. O sistema combina um conjunto de células a combustível de óxido sólido (Solid Oxide Fuel Cell — SOFC) de 120 kW com um módulo de captura e recuperação de CO₂ otimizado para o tratamento dos gases de exaustão.
O acordo prevê a elaboração e fabricação de um protótipo, com testes onshore programados para 2029, seguidos de uma demonstração de longo prazo. A divisão de responsabilidades é clara: a Eld Energy liderará o design, a aquisição e a construção do sistema SOFC, incluindo testes e validação; a MODEC desenvolverá a instalação de captura de carbono e a integração do sistema para os FPSOs. A parceria tem antecedentes: em agosto de 2025, as duas empresas já haviam firmado contrato para o desenvolvimento de um sistema piloto SOFC de 40 kW para geração de energia sem combustão.
"O acordo para ampliar a capacidade das SOFCs de 40 kW para 120 kW representa um passo importante rumo a uma implantação gradual em FPSOs", afirma Leonardo Santoro, Gerente de Gestão Técnica da MODEC no Brasil. A MODEC opera atualmente 13 unidades de produção (FPSOs/FSO) no Brasil e possui outras duas em construção para o país, com mais de 3.300 profissionais em território nacional.
WHY IT MATTERS
A trajetória desta parceria — de um piloto de 40 kW em 2025 para um sistema de 120 kW integrado à captura de carbono agora — ilustra uma abordagem de escalonamento incremental que é particularmente relevante para o ambiente offshore. Tecnologias de geração de energia a bordo de FPSOs enfrentam restrições severas de espaço, peso, segurança e disponibilidade operacional. Escalar em etapas, com validação onshore antes de qualquer instalação offshore, é uma metodologia que reduz o risco técnico e regulatório de forma estruturada.
O ponto central da tecnologia SOFC merece atenção analítica. Ao operar por reação eletroquímica — sem processo de combustão — e em altas temperaturas, as SOFCs apresentam eficiência energética superior à das turbinas a gás convencionais. A fonte indica que o potencial de redução de emissões de gases de efeito estufa pode chegar a 50% em comparação com sistemas de turbinas a gás tradicionais. Para operadores que precisam demonstrar trajetórias de descarbonização a reguladores e financiadores, esse diferencial não é apenas ambiental — é financeiro e contratual.
A integração de um módulo de captura de CO₂ ao próprio sistema de geração de energia é o elemento que distingue este projeto de iniciativas SOFC anteriores no setor. Ao tratar os gases de exaustão das próprias células a combustível, o sistema fecha um ciclo que normalmente exigiria infraestrutura adicional separada. Para FPSOs operando em campos do pré-sal brasileiro — onde o gás produzido tem características próprias e onde há compromissos crescentes de gestão de emissões — essa integração tem implicações operacionais diretas.
Do ponto de vista do mercado brasileiro, a posição da MODEC é relevante para contextualizar o alcance potencial desta tecnologia. Com 13 unidades em operação e duas em construção no Brasil, a empresa possui uma frota expressiva sobre a qual, em algum momento futuro, poderá avaliar a aplicabilidade de soluções como esta. Isso não significa que a tecnologia será adotada automaticamente — os testes onshore de 2029 precisam validar desempenho, confiabilidade e custo-benefício antes de qualquer decisão de implantação offshore. Mas a escala da presença da MODEC no Brasil significa que o desenvolvimento bem-sucedido desta tecnologia teria um mercado de aplicação natural e significativo.
Para o ecossistema de fornecedores e engenharia offshore no Brasil, o projeto sinaliza uma direção que vale acompanhar. Sistemas SOFC integrados à captura de carbono representam uma categoria de equipamento que ainda não tem cadeia de fornecimento local consolidada. À medida que operadores e afretadores avançam em compromissos de descarbonização — impulsionados tanto por demandas regulatórias quanto por exigências de financiadores internacionais — a capacidade de desenvolver competência local nesta área pode se tornar um diferencial competitivo para empresas de engenharia, EPC e manutenção no Brasil.
CONTEXT
A adoção de SOFCs no setor offshore ainda está em estágio pré-comercial globalmente. O movimento de MODEC e Eld Energy se insere em um contexto mais amplo de busca por alternativas às turbinas a gás aeroderivadas, que dominam a geração de energia a bordo de FPSOs há décadas. Iniciativas similares em outras regiões produtoras têm encontrado o mesmo desafio: a distância entre a eficiência teórica das SOFCs e a robustez operacional exigida em ambiente offshore é considerável, e os testes de longa duração são etapa indispensável.
O cronograma até 2029 para os testes onshore posiciona este projeto dentro de um horizonte realista para tecnologias de demonstração offshore. A sequência — piloto de 40 kW, escalonamento para 120 kW com captura de carbono, testes onshore, demonstração de longo prazo — sugere que uma eventual aplicação comercial em FPSOs ainda está a vários anos de distância. Para profissionais de planejamento técnico e regulatório no Brasil, esse horizonte é o dado mais operacionalmente relevante do anúncio.
Fonte: PETRONOTÍCIAS