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Operações e Segurança

P-32 desmontada, P-33 a caminho: Estaleiro Rio Grande consolida modelo de reciclagem de plataformas

A conclusão da desmontagem da P-32 marca o encerramento do primeiro desmantelamento verde certificado do Brasil — e já aponta para a próxima unidade.

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Vista aérea de plataforma offshore sendo desmontada em dique seco de estaleiro brasileiro, com estruturas metálicas cortadas em blocos sobre o piso do dique.
Photo: Unsplash / Bernardo Ferrari

O Noticiado

Segundo a Petronotícias, o Estaleiro Rio Grande, operado pela Ecovix, concluiu a desmontagem da plataforma P-32 em seu dique seco, encerrando o que a publicação descreve como o primeiro desmantelamento verde do Brasil. A operação envolveu centenas de trabalhadores e processou uma estrutura de mais de 44 mil toneladas. Com o dique liberado, o estaleiro aguarda a chegada da plataforma P-33, prevista para julho.

A P-32 havia sido adquirida em leilão pela Gerdau em julho de 2023 — tornando-se a primeira unidade do sistema de produção da Petrobras a seguir o novo modelo de reciclagem sustentável de plataformas da estatal. A Gerdau contratou a Ecovix para executar a desmontagem. Mais de 90% da estrutura será reaproveitada como sucata metálica, com os blocos remanescentes sendo transportados para a unidade da Gerdau em Charqueadas (RS), onde o material servirá de matéria-prima para produção de aço.

Robson Passos, CEO da Ecovix, destacou que a operação foi "totalmente planejada e executada pela mão de obra própria da Ecovix." A P-33, próxima a ser recebida, operava anteriormente no Campo de Marlim, na Bacia de Campos, mede aproximadamente 337 metros de comprimento e 54,5 metros de largura, com cerca de 45 mil toneladas. A unidade encontra-se atualmente no Porto do Açu, no Rio de Janeiro, e também foi adquirida pela Gerdau para passar pelo mesmo processo.

Por Que Isso Importa

O encerramento da desmontagem da P-32 não é apenas um marco operacional para a Ecovix — é a validação prática de um modelo de negócios que o setor offshore brasileiro ainda está aprendendo a estruturar. Durante décadas, o destino de plataformas desativadas no Brasil permaneceu indefinido, com unidades aguardando decisão por anos em condições de preservação onerosas. O que o ciclo da P-32 demonstra é que existe viabilidade técnica e econômica para um fluxo organizado de descomissionamento dentro do próprio país.

A cadeia de valor construída neste caso merece atenção: a Petrobras define o modelo de reciclagem sustentável, a Gerdau adquire o ativo em leilão e contrata a desmontagem, a Ecovix executa com mão de obra própria, e o material retorna ao ciclo produtivo como matéria-prima siderúrgica. Essa verticalização — da plataforma desativada ao aço reciclado — reduz a dependência de mercados externos para absorção de sucata e mantém valor agregado dentro do Brasil. Para uma indústria que historicamente exportou complexidade e importou soluções, trata-se de uma configuração relevante.

O aspecto logístico também merece registro. A movimentação da P-32 até o dique seco envolveu mais de 50 profissionais e dois meses de preparação, segundo a Ecovix. A P-33, com 337 metros de comprimento e aproximadamente 45 mil toneladas, representa uma escala comparável — e o fato de o estaleiro já estar preparando sua recepção para julho indica que o Estaleiro Rio Grande está consolidando uma rotina operacional, não apenas executando projetos pontuais. Essa repetibilidade é o que transforma uma experiência isolada em capacidade instalada.

Para os operadores brasileiros com carteiras de ativos envelhecendo, o modelo em desenvolvimento em Rio Grande oferece uma referência concreta de planejamento. A Bacia de Campos, em particular, concentra unidades com décadas de operação cujo ciclo de descomissionamento se aproxima. Ter uma cadeia nacional estruturada — com estaleiro, comprador de sucata e logística de transporte definidos — reduz incertezas regulatórias e de custo que historicamente tornavam o descomissionamento uma variável difícil de precificar nos planos de abandono.

Há também uma dimensão regulatória a observar. A ANP e o IBAMA têm exigências específicas sobre planos de descomissionamento, e a construção de precedentes operacionais documentados — como o ciclo da P-32 — tende a informar futuras diretrizes. O fato de o processo ter sido designado como "desmantelamento verde" sugere que critérios ambientais foram aplicados além do mínimo regulatório, o que pode influenciar o padrão de referência para processos futuros.

O componente social registrado na cobertura — doação de equipamentos a entidades locais, incluindo itens utilizados durante as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024 — não altera a análise técnica, mas é relevante para o contexto de licença social de operação em Rio Grande, cidade com histórico de dependência da indústria naval.

Contexto

O Brasil não é o único mercado onde a questão do descomissionamento de plataformas ganhou urgência. No Mar do Norte, a indústria desenvolveu ao longo de décadas um ecossistema de empresas especializadas, com regulação detalhada e custos de referência estabelecidos. Na América Latina, o Brasil parte de uma base mais incipiente — o que torna cada operação concluída mais relevante como dado de referência para o mercado.

A sequência P-32 / P-33 no mesmo estaleiro, com o mesmo comprador de sucata e o mesmo executor, sugere que os agentes envolvidos estão deliberadamente construindo escala e repetibilidade. Se esse ritmo se mantiver, o Estaleiro Rio Grande pode consolidar uma posição de referência no segmento de descomissionamento offshore no Brasil — um segmento que, dado o perfil etário da frota da Bacia de Campos, tende a crescer em volume nas próximas décadas.


Fonte: PETRONOTÍCIAS

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